"O universo parece brincar de desencaixar, enquanto a vida só sabe obedecer."

junho 05, 2010

Conto de uma estrela singular - Parte II

   Agora estava no tão amado pedacinho perdido no incrível mar. Sequer conseguia se conter, nem notara que tudo estava diferente. Se jogou ao chão e pôs se a brilhar. Ou tentou. Sentiu seu corpo molhado, aliás, sentiu
   Estrelas não sentem, ao menos não como os sereszinhos daqui da Terra. Mas cá a estrela singular já podia sentir, pensar, deduzir, saber, se mover e um montão de outras coisas que a deixaram mais feliz do que jamais pensara em estar. Nem se importou em não poder mais brilhar. A Terra, a acolhedora, dera a ela um novo corpo e algo para governá-lo, um cérebro que permitia a ela todas as sensações do mundo. A pobre estrelinha ainda não sabia o usar bem, mas aprendia com tamanha facilidade que passava a amar tanto a descoberta que deixava esfacelar o tão nobre amor que a fez cair pela Terra. 
    

maio 30, 2010

Conto de uma estrela singular - Parte I

   Estava tão decidida, mas ainda assim se sentia tão aflita quanto medrosa. Não é incomum o medo do desconhecido, não se pode prever o que tem logo ali, onde não se consegue ver. Mas o medo foi feito para ser vencido, ao menos era isso que forçava-se a repetir tantas vezes quanto pudera. Não conseguiu se auto-convencer, se sentiu envergonhada, preferiu se trancar numa realidade paralela e se desprendeu da sua própria. Foi assim, aliás, é assim.
   Diferente de toda e qualquer estrela que já se ouviu falar, essa pequena estrelinha não se desprendeu do nosso querido e zeloso Céu por amor ao esplêndido e convidativo Mar. Essa estrelinha caiu por amor ao que se quer sabia o que era, ao desconhecido que vivia no Mar, o desconhecido pedacinho esverdeado que passava despercebido pelos outros astros.
   Se fez cadente. Caiu por amor ao que agora conhece bem, a Terra.
   O Mar, ao receber uma estrela torna-a estrela-do-mar, seres um tanto quanto diferente do que eram, mas tão acolhidos e amados que sequer se importam. Já a distinta Terra acolhe seus nobres visitantes de uma maneira muito mais perspicaz. Estrelas que chegam à Terra se misturam com o barro e tornam-se seres humanos.

maio 13, 2010

Retalhos contados

   Eram várias vezes, ao acabar de nascer estrelinhas já se chocavam com aquele imenso planeta azul. Ah, o mar. Era como chamavam o planeta, aliás, provavelmente ainda o chamam assim.
   Pense numa imensidão, é assim onde vivem as estrelas. Estrelas não tem cérebro, não sentem nada. Ou melhor, sentem, mas de uma forma diferentíssima. Estrelas podem sentir o amor. Não como se entende por aqui. Mas acho que elas sentem o amor como ele realmente é.
   É difícil descrever a vida de uma estrela, o que se sabe é que é o ser mais brilhante que existe, mais até que o sol. Brilham mais do que podem, mais do que a própria vida. E ainda são os seres mais apaixonados.
   Ah, o mar. Muitas e muitas estrelas se apaixonam perdidamente por ele. Volta e meia se pode ver uma estrela cadente se entregando ao seu amor.
   Ah, o mar. Tão grande, tão formoso mesmo sem forma. Lisonjeado, acolhe cada estrelinha com o mais cuidadoso carinho. Estrelas-do-mar ao se 'cortarem' não se reconstituem por mero feito do acaso.
  Eu desci por amor ao mar, mas cai aqui. Sorte?

março 20, 2010

Cai, cai estrela

   Várias pessoinhas já desenvolveram trilhões de teorias sobre estrelas cadentes. O que ninguém sabe é que estrelas cadentes não realizam desejos. Na verdade elas só estão em busca da realização do próprio.
   No céu, o nosso querido céu, as estrelas nem imaginam que existam outros seres muito menos naquela incrível  bola achatada onde vive o mar. Aliás, estrelas não se 'mexem', não 'sentem', não 'olham', não são como os humanos (um dia eu conto). O que se precisa saber é que as estrelas ficam boa parte do tempo olhando para o mar. O incrível mar.
   Eu que já vivo na terra ainda consigo sustentar a idéia de quando estrela. O mar é mesmo incrível. Todas as estrelas amam o mar. Algumas reservam utopias e mirabolam planos. Não são muitas, nem tão poucas, mas existem várias estrelas que acabam amando tanto o mar que, literalmente, caem de amores.
   Num desejo um tanto quanto insano e sem saber o que se sucederá, estrelas abrem mão de tudo e vão largando sua luz, brilho e seguem em direção ao mar.Se tornam cadentes _em todos os sentidos. Foi assim que nasceram as estrelas-do-mar, o que não quer dizer que todas as estrelas-do-mar foram estrelas-do-céu antes.
  Nem todas as cadentes são bem sucedidas. Eu cai na terra por engano. Foi o melhor de todos os enganos, mas isso vou contar em outro conto.

março 15, 2010

   Eu sou uma estrela