"O universo parece brincar de desencaixar, enquanto a vida só sabe obedecer."

julho 31, 2010

Conto de uma estrela singular - Parte IV

   Até aqui, a estrela tinha superado tudo que encontrara, mas agora, sentiu pela primeira vez o cortante medo. Ao se aventurar no mundo em que existia milhares iguais a ela, não houve tempo de pensar nada, estava muito confusa. As pessoas, assim nós chamamos, são seres frios e individuais. A estrela não teve sucesso em nenhuma tentativa de aproximação. Uma vez apareceu um rapaz todo de azul e com um bastão nas mãos, e a machucou tanto, que a estrelinha passou a evitar pessoas. 
   Tentou achar o caminho de volta para floresta, não conseguiu. Cá estava passando fome, frio e insegurança incontrolável. Começou a definhar em si mesma. Pensamentos de ódio rondaram sua cabeça, mas se limitou a lamentar-se. Lamentou não ter amado a Terra como ela merecia. E lamentou a existência de seres como ela.
   Quando já estava fraca o suficiente, conseguiu achar de novo a floresta. Mas sem forças para sobreviver, abraçou a Terra como podia, pediu desculpas e chorou incansavelmente. Naquele dia, a Terra se irritou. Aconteceu o que agora conhecemos como terremoto. A Terra engoliu o corpo da estrelinha e com os últimos suspiros de vida  transformou-na em uma semente. A estrelinha agora era inferior ao que era antes, não conseguia se expressar, mas mesmo assim, não se tem dúvida de que está a mais feliz.
Fim.

5 comentários:

Razek Seravhat disse...

Falar por meio de parábolas é um expediente usado de vez em quando pelos grandes autores. E aqui me vejo diante de tamanha sensibilidade artística.

Ternura sempre!

Thândara Mota disse...

Não sei consegui passar tudo o que queria, mas muito obrigada pelo comentário. Se tinha uma forma de me deixar tão entusiasmada com meus textos, você a usou.
Obrigada.

Relativizando Absurdos disse...

Quantas estrelinhas pelo mundo, né?!



bjus

Por Sami

Anjuh disse...

atraente suas palavras e a dinamica me deixou bastante curioso...ate posso sentir o suspiro da estrelinha com um sorriso escrito no canto dos labios tentando suportar sua existencia...bjux

Walter Andrade - Traquitana disse...

Li os seus contos, e me admirei com sua imaginação, criatividade e bom gosto com as palavras. Tens um jeito de escrever "imprevisível", que esconde em cada nova frase uma surpresa aos sentidos. Gostei das poesias também, do outro blog. Aliás, até seu nome é surpreendente... parece nome de fruta rara ^^

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